IMC: o que é e como calcular
Atualizado em 18 de junho de 2026 · por Rafael Rossi
O IMC (Índice de Massa Corporal) é a razão entre o seu peso e o quadrado da sua altura. Ele existe desde o século XIX, é usado no mundo inteiro e resolve um problema real — mas resolve um problema de população, não de pessoa. Entender essa distinção é o que separa usar o IMC de ser usado por ele.
A fórmula
IMC = peso (kg) ÷ altura (m)²
Repare que a altura entra ao quadrado. Não é detalhe: é a origem de quase todas as críticas ao índice, como você vai ver adiante.
Exemplo passo a passo
Uma pessoa de 78 kg e 1,75 m:
- Altura ao quadrado: 1,75 × 1,75 = 3,0625
- Divisão: 78 ÷ 3,0625 = 25,47
Resultado: IMC 25,5, que cai na faixa de sobrepeso — 1,7 kg acima do limite superior da faixa normal, que para 1,75 m termina em 76,3 kg.
As faixas da OMS
| IMC | Classificação | Peso para 1,75 m |
|---|---|---|
| abaixo de 18,5 | Abaixo do peso | menos de 56,7 kg |
| 18,5 a 24,9 | Peso normal | 56,7 a 76,3 kg |
| 25,0 a 29,9 | Sobrepeso | 76,6 a 91,6 kg |
| 30,0 a 34,9 | Obesidade grau I | 91,9 a 106,9 kg |
| 35,0 a 39,9 | Obesidade grau II | 107,2 a 122,2 kg |
| 40 ou mais | Obesidade grau III | 122,5 kg ou mais |
A faixa "normal" é larga de propósito: para 1,75 m ela cobre quase 20 kg de diferença. Isso já indica que o índice não foi feito para apontar um peso ideal.
O que o IMC não enxerga
O índice usa dois números — peso e altura — e ignora tudo o mais. Na prática, isso significa quatro pontos cegos importantes:
- Não distingue músculo de gordura. Um atleta de 100 kg e 1,80 m tem IMC 30,9, tecnicamente "obesidade grau I", com percentual de gordura possivelmente abaixo de 10%. O índice mede massa, não composição.
- Não enxerga onde a gordura está. Gordura visceral (abdominal) tem risco cardiometabólico muito maior que gordura periférica, e duas pessoas com o mesmo IMC podem ter distribuições opostas.
- Perde precisão nos extremos de altura. Como a altura entra ao quadrado e o corpo humano não cresce exatamente ao quadrado, o índice tende a superestimar em pessoas muito altas e subestimar em pessoas muito baixas.
- Não vale igual para todo mundo. Idosos perdem massa magra e podem ter IMC "normal" com percentual de gordura elevado. Crianças e adolescentes não usam as faixas de adulto, e sim curvas de percentil por idade e sexo. E a OMS reconhece que, para populações asiáticas, o risco metabólico já aumenta a partir de IMC 23, e não de 25.
Por que ele continua sendo usado, então
Porque é barato, reprodutível e funciona bem no agregado. Numa população de milhares de pessoas, o IMC prevê risco de doença cardiovascular e diabetes tipo 2 com boa correlação, e exige apenas uma balança e uma fita métrica. Nenhum outro método com essa correlação custa tão pouco.
O erro não é usar o IMC. É usá-lo isolado, em uma única pessoa, como se fosse diagnóstico.
Um complemento que custa 30 segundos
A medida mais útil para acompanhar junto do IMC é a relação cintura-estatura: meça a circunferência da cintura na altura do umbigo e divida pela sua altura, nas mesmas unidades.
A referência é simples de lembrar: mantenha a cintura abaixo de metade da sua altura. Para 1,75 m, isso significa cintura abaixo de 88 cm. Essa razão captura justamente o que o IMC não vê — a gordura abdominal — e vários estudos a apontam como melhor preditora de risco cardiometabólico que o IMC isolado.
Perguntas frequentes
Qual é o IMC ideal? A pergunta não tem resposta boa, porque não existe um ponto ideal e sim uma faixa ampla de normalidade. Faz mais sentido acompanhar a tendência ao longo do tempo do que perseguir um número.
O IMC serve para gestantes? Não durante a gestação. O ganho de peso esperado é acompanhado por curvas próprias, com base no IMC anterior à gravidez.
Homens e mulheres usam as mesmas faixas? Sim, as faixas da OMS são as mesmas. Mas mulheres têm, em média, maior percentual de gordura para o mesmo IMC — mais um motivo para não ler o número isoladamente.
Meu IMC caiu na faixa de sobrepeso. E agora? Um IMC entre 25 e 30 é motivo para olhar com atenção, não para pânico. Vale medir a cintura, checar pressão, glicemia e perfil lipídico, e conversar com um médico. Boa parte do risco que o IMC sinaliza aparece nesses exames — e eles medem o que importa diretamente.
Fontes: Organização Mundial da Saúde — classificação de IMC para adultos e recomendações específicas para populações asiáticas; Ministério da Saúde (Brasil) — Vigilância Alimentar e Nutricional. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.