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O que é a regra de 72

Atualizado em 30 de junho de 2026 · por Rafael Rossi

A regra de 72 é o atalho mais útil das finanças pessoais: divida 72 pela taxa e você tem quantos períodos o dinheiro leva para dobrar. Sem calculadora, sem logaritmo, com erro de poucos por cento na faixa que interessa.

A regra

tempo para dobrar ≈ 72 ÷ taxa (em % por período)

A 8% ao ano, o dinheiro dobra em 72 ÷ 8 = 9 anos. A 1% ao mês, dobra em 72 meses, ou seis anos.

A unidade da taxa define a unidade da resposta: taxa mensal devolve meses, taxa anual devolve anos. Trocar as duas é o único erro possível aqui.

De onde vem o 72

O cálculo exato é tempo = ln(2) ÷ ln(1 + i). Como ln(2) ≈ 0,693 e, para taxas pequenas, ln(1+i) ≈ i, o tempo fica em torno de 69,3 ÷ taxa.

O número "certo" seria, portanto, 69,3. Usa-se 72 por dois motivos: ele compensa a aproximação para taxas um pouco maiores, e — decisivo — 72 é divisível por 2, 3, 4, 6, 8, 9 e 12, o que permite fazer a conta de cabeça em quase todas as taxas comuns.

Onde a regra acerta e onde ela erra

TaxaRegra de 72Valor exatoErro
1%72,069,7+3,4%
2%36,035,0+2,8%
4%18,017,7+1,9%
6%12,011,9+0,9%
8%9,09,01−0,1%
12%6,06,1−1,9%
20%3,63,8−5,3%
30%2,42,6−9,2%

A regra é praticamente perfeita em 8% e continua ótima entre 4% e 12% — que é justamente a faixa de retorno de investimento em que ela é usada. Fora dela o erro cresce, e acima de 20% a regra passa a ser otimista demais: ela promete dobrar antes do que realmente acontece.

Para taxas muito baixas, alguns preferem 69 ou 70; para taxas altas, 76. Mas trocar de constante derruba a maior virtude da regra, que é ser feita sem papel.

As variantes: 114 e 144

  • Regra de 114 — triplicar. A 8% ao ano: 114 ÷ 8 = 14,3 anos. O valor exato é 14,27. Praticamente cravado.
  • Regra de 144 — quadruplicar. É simplesmente dobrar duas vezes, então equivale a 2 × 72.

O uso que mais assusta: inflação

A regra funciona igualmente bem para medir destruição de valor, e é aí que ela costuma incomodar.

Com inflação de 5% ao ano, o poder de compra do dinheiro parado cai pela metade em 14,4 anos (o exato é 14,2). Com 10% ao ano, em pouco mais de 7. Aplique isso a dinheiro guardado em conta corrente e o resultado é um imposto invisível que ninguém cobrou explicitamente.

A mesma lógica serve para dívida. Um saldo de cartão a 14% ao mês dobra em pouco mais de 5 meses — 72 ÷ 14 = 5,1. É a conta mais rápida que existe para entender por que rotativo não deve ser rolado.

Um uso menos óbvio: descobrir a taxa

A regra inverte sem esforço. Se você sabe em quanto tempo algo dobrou, taxa ≈ 72 ÷ tempo.

Um imóvel que dobrou de preço em 12 anos valorizou cerca de 6% ao ano — número bem menos impressionante do que "dobrou de valor", e que já permite comparar com qualquer outra aplicação do mesmo período.

Quantas duplicações você ainda tem

Há uma forma de usar a regra que reorganiza a forma de pensar em aposentadoria. Em vez de contar anos, conte duplicações.

A 8% ao ano, o dinheiro dobra a cada 9 anos. Então quem tem 30 anos e pretende parar aos 65 dispõe de 35 anos, ou quase 4 duplicações: R$ 10.000 aplicados hoje viram cerca de R$ 148.000. Quem começa aos 40 tem 25 anos, ou 2,8 duplicações: os mesmos R$ 10.000 viram R$ 68.000. Quem começa aos 50 tem 1,7 duplicação, e chega a R$ 32.000.

Dez anos de atraso custaram mais da metade do resultado, com o mesmo dinheiro e a mesma taxa. É a maneira mais crua de enxergar por que o tempo é o insumo mais caro dessa conta — e o único que não dá para comprar depois.

Perguntas frequentes

Funciona com aportes mensais? Não. A regra vale para um valor único crescendo a juros compostos. Com aportes, o saldo dobra bem mais rápido, porque parte do crescimento é dinheiro novo, não rendimento.

Devo usar a taxa nominal ou a real? Depende do que você quer saber. Com a taxa nominal, descobre em quanto tempo o número dobra; com a taxa real (já descontada a inflação), em quanto tempo dobra o poder de compra. Para planejamento de longo prazo, a segunda é a pergunta certa.

Vale para retorno negativo? Não diretamente, mas o raciocínio se adapta: uma queda de 10% ao ano leva o valor à metade em cerca de 7 anos — e continua reduzindo pela metade a cada 7, sem nunca chegar a zero.

Por que não usar simplesmente a fórmula exata? Use, quando tiver uma calculadora. A regra de 72 existe para o momento em que você está numa conversa, ouvindo uma proposta, e precisa saber em cinco segundos se o número faz sentido. É uma ferramenta de detecção, não de contabilidade.

Abrir a calculadora: Regra de 72 →