O aumento que é, na verdade, uma redução
Dinheiro não tem valor fixo: ele vale o que compra. Por isso comparar valores de anos diferentes sem corrigir pela inflação é como comparar distâncias trocando de régua no meio — e é o erro que faz gente comemorar aumento que, na prática, foi perda.
1. Você ficou mais rico?
Há 10 anos você ganhava R$ 3.000. Hoje ganha R$ 4.500 — um aumento de 50%. Nesse período, a inflação ficou em 5% ao ano. Você ficou mais rico ou mais pobre?
2. A régua que encolhe
A inflação não age em linha reta: ela é composta, igual a juros. Um valor guardado embaixo do colchão não muda de número, mas muda de tamanho. Arraste os controles e veja o poder de compra derretendo.
Curva do poder de compra ao longo do tempo sob inflação constante.
3. A conta que muda tudo: o aumento real
Existe uma regra que vale a pena decorar: aumento abaixo da inflação é corte de salário. E o cálculo não é subtração — é divisão. Um aumento de 8% com inflação de 5% não dá 3% de ganho real, e sim 2,86%.
ganho real = (1 + aumento) ÷ (1 + inflação) − 1
Em quase todo lugar: na negociação salarial (pedir "aumento" igual à inflação é pedir para ficar parado), no investimento (rendimento de 10% com inflação de 6% é ganho real de 3,8%, não 4%), no aluguel reajustado por índice, e na comparação de preços entre décadas. A regra prática: sempre que comparar dinheiro de épocas diferentes, converta tudo para a moeda de uma data antes de concluir qualquer coisa.
Corrija os seus valores
Descubra quanto um valor de hoje valerá no futuro e quanto é preciso para manter o mesmo poder de compra.
Abrir a Calculadora de Poder de Compra →Veja também: Aumento salarial · Juros compostos · Aula: a 8ª maravilha do mundo
Simulação didática com inflação constante — na realidade ela varia ano a ano. Para correções oficiais no Brasil, use os índices do IBGE (IPCA) ou da FGV (IGP-M) referentes ao período exato.