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Aula interativa

A dívida que nunca acaba

O rotativo do cartão de crédito é o crédito mais caro que existe no Brasil — em 2023 a taxa média chegou a passar de 440% ao ano. Mas o que realmente aprisiona as pessoas não é o tamanho do juro: é um detalhe aritmético que quase ninguém percebe até estar dentro dele.

1. Pagando todo mês… e nunca quitando

Sua fatura fechou em R$ 3.000 e você não conseguiu pagar tudo. O saldo entrou no rotativo a 15% ao mês. Você se organiza e passa a pagar R$ 400 todo mês, religiosamente, sem usar mais o cartão. Em quantos meses você quita?

2. O ponto de virada

Arraste o valor que você paga por mês. Existe uma linha invisível — o valor dos juros do mês. Abaixo dela, a dívida cresce por mais que você pague. Logo acima, você quita, mas leva anos. Um pouco mais acima, o prazo despenca. É a mesma matemática da amortização, só que contra você.

Gráfico do saldo devedor ao longo do tempo conforme o valor pago por mês.

Juros do 1º mês
Tempo até quitar
Total pago

3. O que te protege (e o que não te protege)

Desde 3 de janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 limita os encargos do rotativo: o total de juros e taxas não pode ultrapassar 100% da dívida original. Uma dívida de R$ 3.000 não pode virar mais que R$ 6.000, independentemente do tempo. Sem esse teto, a simulação acima chegaria a valores muito maiores.

O teto é uma rede de proteção, não uma solução: você ainda pode dobrar a dívida. E ele vale para o rotativo — não impede que a dívida seja migrada para um parcelamento caro. Na prática, o que funciona é sair do rotativo o mais rápido possível: negocie um parcelamento com juros menores, use crédito mais barato (consignado, garantia) para quitar o mais caro, e priorize sempre a dívida de maior taxa.

A regra que salva

Antes de aceitar qualquer parcelamento, compare a taxa mensal, não o valor da parcela — parcela pequena com prazo longo costuma ser a opção mais cara. E lembre da linha invisível: qualquer pagamento abaixo dos juros do mês é dinheiro que não abate nada. Se você não consegue pagar nem os juros, o problema não se resolve pagando em dia: ele exige renegociar o contrato.

Compare antes de parcelar

Veja se compensa pagar à vista com desconto ou parcelar, comparando com o rendimento do seu dinheiro.

Abrir a Calculadora À Vista ou Parcelado →

Veja também: Juros compostos · Financiamento · Aula: a 8ª maravilha do mundo

Fontes: Lei 14.690/2023 e regulamentação do Banco Central (teto de 100% para encargos do rotativo, em vigor desde 3/1/2024); Banco Central do Brasil para as taxas médias do rotativo. Simulação didática — as taxas do seu contrato podem ser diferentes, e há IOF e outras tarifas não consideradas aqui. Não é aconselhamento financeiro.