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Calculadora CLT vs PJ

Compare quanto você realmente recebe como CLT (com 13º, férias e FGTS) e como PJ, e veja qual compensa mais.

R$

Salário CLT ou faturamento PJ para comparar

%

Simples Nacional (serviços costuma começar em ~6%)

R$
Vantagem do CLT
R$ 680,05
Total CLT (c/ 13º, férias, FGTS)R$ 6.120,05
Salário líquido CLT (na mão)R$ 4.973,38
Líquido PJR$ 5.440,00
Impostos PJR$ 360,00

Estimativa. Considera 13º, 1/3 de férias e FGTS como parte do "pacote" CLT. No PJ, não inclui pró-labore/INSS nem provisão de férias — ajuste o imposto conforme seu enquadramento.

Aula interativa: Para onde vai o seu salário Veja o INSS e o IR mordendo o bruto em tempo real, derrube o mito da "faixa" e descubra a zona onde o aumento rende metade. Quiz · MoneyMojisAlém do imposto: descubra que caminho de carreira é a sua cara.

Como funciona o cálculo

Comparar CLT e PJ só pelo valor "na mão" engana. O CLT tem benefícios que valem dinheiro:

  • 13º salário ≈ 1/12 do bruto por mês
  • 1/3 de férias ≈ 1/36 do bruto por mês
  • FGTS = 8% do bruto (a empresa deposita)

No PJ, você recebe mais "limpo", mas paga impostos (Simples Nacional), contador e precisa provisionar suas próprias férias e reserva. Esta conta soma os benefícios do CLT e compara com o líquido do PJ.

O "pacote invisível" do CLT

Além do salário, o CLT recebe (em % do bruto, todo mês, na média):

Benefício% do bruto/mês
13º salário8,33%
1/3 de férias2,78%
FGTS (depósito da empresa)8,00%
Total do pacote~19,1%

Ou seja: um CLT de R$ 6.000 "vale" cerca de R$ 7.150 brutos por mês antes dos descontos. É por isso que uma proposta PJ de mesmo valor quase nunca é equivalente.

O que o PJ precisa pagar do próprio bolso

  • Férias e 13º próprios: parar de trabalhar = parar de faturar; é preciso provisionar ~11% do faturamento;
  • INSS sobre o pró-labore (para contar tempo de aposentadoria e ter cobertura);
  • Plano de saúde, VR/VA e outros benefícios que a empresa CLT costuma dar por fora;
  • Contador e taxas da empresa.

Regra de bolso

Para compensar o pacote perdido e os custos próprios, uma proposta PJ deve ser na faixa de 20% a 30% maior que o bruto CLT equivalente — mais que isso se incluir benefícios valiosos (plano de saúde familiar, por exemplo).

Por que a calculadora mostra empate com bem menos que 20%?

Essa diferença confunde muita gente, então vale explicitar. A calculadora compara só o que é dinheiro medível dos dois lados: líquido CLT + 13º + 1/3 de férias + FGTS contra faturamento PJ − impostos − contador. Nessa base, o empate costuma aparecer com uma diferença pequena.

A regra dos 20–30% existe porque o lado PJ ainda precisa bancar sozinho uma lista de coisas que a calculadora não tem como saber — e que só aparecem no seu orçamento depois:

ItemQuem paga no CLTCusto típico para o PJ
Plano de saúdeempresa (total ou parcial)do próprio bolso, preço individual
Vale-refeição / alimentaçãoempresanão existe
Férias de 30 diasremuneradasprovisionar ~8,3% do faturamento
INSS (aposentadoria e auxílios)descontado e complementadopró-labore + contribuição própria
Seguro-desempregodireitonão existe
Aviso prévio e multa de 40% do FGTSdireito na demissãonão existe: contrato encerra no aviso
Meses sem faturar (doença, cliente atrasado)salário garantidoreserva própria

Resumo honesto: a calculadora mede o caixa, a regra de bolso mede o risco. Use o número dela para saber onde está o ponto de empate financeiro e depois some, com os seus preços reais, o custo do que você vai ter que cobrir sozinho.

Exemplo completo: R$ 8.000 de CLT contra uma proposta PJ

  1. Líquido CLT: de R$ 8.000 saem R$ 921,51 de INSS e R$ 1.037,85 de IRRF → R$ 6.040,63 na conta.
  2. Diferidos que também são seus: 13º equivale a R$ 666,67/mês, o terço de férias a R$ 222,22/mês e o FGTS a R$ 640,00/mês.
  3. Total CLT equivalente: R$ 7.569,52 por mês.
  4. PJ com o mesmo valor de fatura (R$ 8.000, Simples a 6% e contador a R$ 300): 8.000 − 480 − 300 = R$ 7.220,00. O CLT ainda ganha por R$ 349,52.
  5. Ponto de empate: a fatura PJ precisaria ser de R$ 8.371,83 — cerca de 5% a mais — para igualar o caixa.
  6. E aí entra o resto: plano de saúde, provisão de férias e INSS próprio somam facilmente mais R$ 1.000–1.500/mês. É esse degrau que empurra a proposta justa para os 20–30%.

Quanto o PJ realmente paga de imposto

Quase toda PJ de prestação de serviço fica no Simples Nacional, e a alíquota depende do anexo:

  • Anexo III — começa em 6% sobre o faturamento (primeira faixa, até R$ 180 mil por ano);
  • Anexo V — começa em 15,5%, e é onde caem muitos serviços intelectuais.

O que decide entre um e outro é o Fator R: se a folha de pagamento (incluindo o seu pró-labore e o INSS sobre ele) dos últimos 12 meses for de pelo menos 28% do faturamento, a atividade é tributada pelo Anexo III, muito mais barato. É por isso que contadores costumam recomendar um pró-labore maior do que o mínimo: pagar mais pró-labore pode reduzir a conta total.

Atenção: a alíquota do Simples é progressiva por faixa de faturamento anual e vem com parcela a deduzir — quem fatura mais paga uma alíquota efetiva maior que a da primeira faixa. Além disso, empresas fora do Simples (Lucro Presumido) têm outra conta. Coloque na calculadora a alíquota que o seu contador confirmar, não a da primeira faixa por padrão.

Pró-labore: o erro mais caro de quem vira PJ

É tentador tirar tudo como distribuição de lucros, que é isenta de IR, e não pagar pró-labore. O problema é que o pró-labore é o que sustenta a sua cobertura previdenciária: sem contribuição, não há aposentadoria contada, auxílio-doença, salário-maternidade nem pensão. Some-se a isso o Fator R, que pode jogar você do Anexo III para o V. Economizar aqui costuma custar caro duas vezes.

O lado jurídico: quando virar PJ é irregular

Se a relação tem pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade — ou seja, você trabalha como empregado mas emite nota — a contratação pode ser considerada pejotização e o vínculo reconhecido na Justiça do Trabalho. Sinais clássicos: horário fixo controlado pela empresa, chefia direta, exclusividade e impossibilidade de se fazer substituir. Isso não é detalhe: o reconhecimento gera direito retroativo a férias, 13º, FGTS e verbas rescisórias. Um contrato PJ legítimo pressupõe autonomia real na forma de entregar o trabalho.

Três perguntas antes de aceitar a proposta

  1. Qual é o pacote completo do CLT? Some plano de saúde (para você e dependentes), VR/VA, participação nos lucros, previdência privada e auxílios. É esse total, não o salário, que a proposta PJ tem de superar.
  2. Você tem reserva para 3–6 meses? Sem seguro-desemprego e sem aviso prévio, o fim do contrato pode ser imediato.
  3. A alíquota é mesmo a que te disseram? Confirme o anexo do Simples e o Fator R com um contador antes de assinar — a diferença entre 6% e 15,5% muda toda a decisão.

Exemplos

  • CLT de R$ 6.000 ≈ pacote de R$ 7.150/mês (com 13º, férias e FGTS). Uma proposta PJ de R$ 6.500 provavelmente NÃO compensa; uma de R$ 8.000 tende a compensar.

Perguntas frequentes

Qual imposto usar no PJ?

Depende do enquadramento no Simples Nacional. Serviços costumam começar em torno de 6% (Anexo III) e podem subir conforme o fator R e a receita.

PJ sempre vale mais a pena?

Não. Para o mesmo valor bruto, o PJ costuma render mais líquido, mas você perde estabilidade, FGTS, 13º e férias pagas. Avalie o conjunto.

O que é o fator R?

No Simples Nacional, serviços podem cair no Anexo III (alíquotas menores) quando a folha de pagamento (incluindo pró-labore) é ≥ 28% do faturamento; abaixo disso, caem no Anexo V, mais caro. É um dos motivos para definir bem o pró-labore.

PJ conta para aposentadoria?

Só se você recolher INSS sobre o pró-labore. Sem isso, não conta tempo de contribuição nem dá cobertura (auxílio-doença, etc.).

E a demissão? O CLT tem mais alguma vantagem?

Sim: na demissão sem justa causa o CLT recebe multa de 40% do FGTS, aviso prévio e seguro-desemprego — uma proteção que o PJ não tem e que também vale dinheiro.

Qual alíquota devo colocar na calculadora?

A do seu enquadramento real. No Simples Nacional, o Anexo III começa em 6% e o Anexo V em 15,5%; quem decide entre os dois é o Fator R (folha de pelo menos 28% do faturamento). A alíquota também sobe conforme o faturamento anual. Confirme com o contador antes de decidir.

Preciso pagar pró-labore sendo PJ?

Na prática, sim. É o pró-labore que gera contribuição ao INSS e, com ela, aposentadoria contada, auxílio-doença e salário-maternidade. Ele também conta no Fator R, que pode reduzir sua alíquota de 15,5% para 6%. Tirar tudo como lucro isento costuma sair caro duas vezes.

A empresa pode me obrigar a virar PJ?

Não pode impor a mudança para mascarar um vínculo de emprego. Se persistirem pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade, existe risco de a relação ser reconhecida como emprego na Justiça do Trabalho — com direito retroativo a férias, 13º, FGTS e rescisão. Um contrato PJ legítimo pressupõe autonomia real.

Como faço a conta das férias sendo PJ?

Provisione. Trinta dias parados por ano equivalem a guardar cerca de 8,3% de tudo o que você fatura. Se você não separar esse valor todo mês, as férias viram um mês sem receita — e não umas férias.

O CLT tem alguma vantagem que não aparece em dinheiro?

Várias, e elas costumam decidir o caso: estabilidade em afastamentos e licença-maternidade, FGTS com multa de 40% na demissão sem justa causa, seguro-desemprego, previsibilidade para financiamento imobiliário (bancos analisam melhor renda CLT) e o simples fato de não precisar administrar uma empresa.

Fontes e referências

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Atualizado em 2 de julho de 2026 · por Rafael Rossi · Metodologia e fontes